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Conferência de Sua Excelência Reverendíssima o Sr. D.Anacleto sobre S.Paulo
Caldas da Rainha 03-10-2008
Começou depois da saudação inicial, por nos dizer que a sua presença ali, tinha para ele um significado especial, uma vez que no dia seguinte (Sábado 04-10-2008) partiria pela
manhã para Roma, onde iria tomar parte no Sínodo dos Bispos, pelo que seríamos nós, ali presentes, as pessoas que levaria mais frescas na sua memória., e por isso agradecia desde já, o contributo que
lhe estávamos a dar para que a sua participação fosse tão activa quanto possível, nesta assembleia de Bispos em Roma, que como está até indicado no programa, é sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja.
É evidente que já foi anunciado, disse,
(pelo Rev.do Padre Pedro – vigário) que não iria falar sobre o Programa Diocesano, o plano é muito vasto, iria sim falar sobre S.Paulo, neste ano em que
iremos comemorar os 2 000 anos do nascimento de S.Paulo, que decorrerá neste chamado Ano Paulino e fundamentalmente - como podemos reparar nas propostas do Sr. Patriarca para o Ano Pastoral - na
vivência do Ano Paulino propriamente dit…
Só a primeira actividade é que acompanha
o ano inteiro é a 2.1 A em que ele fez referencia exactamente a este itinerário catequético que foi preparado para a nossa Diocese e depois é
que se estendeu ao resto do País.
As outras duas actividades são pontuais,
é a Celebração Nacional no dia 25 de Janeiro de 2009, Festa da Conversão de S,Paulo, que neste ano até passa a Solenidade e depois no final do Ano
Litúrgico, a Celebração de S.Pedro e S.Paulo que já na véspera no dia 28 de Junho também é um dia grande, porque é o dia das Ordenações na nossa Diocese.
Portanto fica claro desde já que irá
tentar ajudar a ler o livro (Um ano a caminhar com S.Paulo), ou se quisermos, a usar este livro, a propósito do qual acrescentou que não lhe interessava
só que o lêssemos, mas sobretudo que o usássemos e iria tentar para que também as outras coisas não ficassem de lado, depois de falar, fazer uma
exposição mais ou menos do decurso dos diversos temas que têm uma ligação, os diversos temas que são apresentados no livro, acrescentando que ia tentar dizer como é que cada tema pode ser tratado, na
perspectiva de uma outra sugestão que o sr. Patriarca faz para este Ano Pastoral que é no 2.C, promover o método da Lectio Divina, ou seja uma leitura da Bíblia, aquilo a que chamamos Lectio Divina e estes temas que são expostos no
Livro, podem ser perfeitamente seguidos com este método, pelo que na segunda parte dará algumas sugestões sobre esses aspectos.
Acrescentou saber que já há pessoas que
estão religiosamente a seguir, semana a semana estes Encontros com S.Paulo, disse alegrar-se com isso, e já ouviu ecos de encontros muito proveitosos e
até teve uma senhora já avançada na idade que lhe apareceu com diversos temas transformados em poemas, mas poemas com conteúdo…
Os que ainda não começaram a leitura,
que não fiquem aflitos, porque o ano da celebração acaba no dia 28 ou 29 de Junho de 2009, mas para nós não acaba e o objectivo é continuar, diria que o objectivo primário é apreendermos e deixarem-nos conquistar tanto por S.Paulo, que usando agora a expressão que ele usou em relação a Cristo – sejamos apanhados por ele e já não
sejamos capazes de o largar.
De maneira que quem for começar agora,
nos tais grupos, e uma vez que o Ano Pastoral só começa agora, não estejam preocupados… os que quiserem acabar a 29 de Junho podem acabar, os que quiserem continuar podem continuar, e os outros
também, se quando chegarem ao fim do ano, se quiserem voltar atrás poderão também fazê-lo.
E assim disse ter chegado ao fim da
introdução…e passou a falar da proposta em concreto que está aqui neste livro, que nos convida a caminhar um ano com S.Paulo.
Porquê a
caminhar…?
De facto, disse, quando escreveu
imaginava-se a caminhar ao lado de S.Paulo…imaginava-se ao seu lado assim a conversar um com o outro…ouvir o que é que ele lhe contava e depois… entrar em diálogo com ele.
Desafiou-nos a tentarmos entrar também
em diálogo com eS.Paulo, para o podermos sentir mais ao vivo…
Portanto de facto, nós caminhamos com
ele e caminhamos por duas razões:
1º - porque ele toda a vida caminhou…foi
um homem que nunca parou…e quando estava muito tempo parado, embora estivesse fixado num lugar… a cabeça e as preocupações dele estavam nuns poucos de lugares… de facto, mesmo parado ele viajava, neste caso, viajava através das cartas e também viajava através dos seus colaboradores, por isso, foi um homem que nunca parou…mesmo
antes de ser cristão…
Por isso, se o quisermos definir,
diremos que… foi um homem que passou a sua vida a caminhar…
Em 2º lugar, a nossa própria vida é uma
caminhada, aliás, este tema do caminho é um tema muito bíblico, muito humano…
É uma caminhada contínua… aqui está de
certo modo neste livro, o itinerário principal…a caminhada que nós fazemos neste caso na companhia de uma pessoa perita - S.Paulo…
A caminhada que nós fazemos ao longo da
nossa vida aqui na terra - uma caminhada que esperamos tenha um final muito produtivo e muito feliz…por isso é que andamos cá…por isso é que ele nos
conduz…
E então, isto é uma caminhada em
diversas etapas…são ao todo 5 etapas…
Disse podermos pegar no índice para nossa orientação, é numa página que não tem numeração…mas é a página um…
São então cinco etapas, ou seja: são as cinco partes em que os temas estão divididos…
Disse depois que iria deixar a palavra Tema e iria antes usar mais vezes a palavra Encontros…porque mesmo que sejam temas estudados e reflectidos individualmente, são encontros com S.Paulo e através de S.Paulo com Deus …e se forem em grupo, são também encontros com as outras pessoas…
A primeira etapa, a Primeira Parte (Paulo fala-nos da sua vida )…S.Paulo fala dele próprio - e são dezasseis encontros - há aqui uma desproporção se comparados com os outros, pode parecer tempo demais a falar sobre ele próprio…e passou a explicar-nos a razão porque lhe pareceu que eram importantes estes dezasseis encontros com ele…
Em 1º lugar porque ele merece que o oiçamos a falar sobre a sua vida…mas esse é talvez a razão de menos peso…
A razão com mais peso sim, é que ele não é capaz de nos falar da sua vida, sem nos falar de Cristo …sem falar da sua ligação a Cristo…sem falar do Evangelho…
E a esta segunda razão, junta-se uma terceira que lhe está ligada…e que tem a ver já com o nosso itinerário cristão – genericamente, como é que nós nos tornamos cristãos…?
Podemos imaginar se nos pusermos a fazer o caminho catecumenal…
A primeira coisa que se faz a um catecúmeno é anunciar-lhe o Evangelho…anunciar-lhe Jesus Cristo, a vida nova que Deus nos revela em Jesus Cristo, Morto e Ressuscitado…
Jesus Cristo que quer transformar as nossas vidas…
Esta é a primeira etapa…
E então, nós teremos aqui com S.Paulo - e seria uma quarta razão pela qual esta primeira etapa é tão longa - nós teremos aqui o Evangelho, não apresentado teoricamente, mas encarnado na vida de uma pessoa…
É pois impossível conhecer S.Paulo, sem conhecer a mensagem que ele anunciou como Apóstolo e o contrário também…
A mensagem que ele anunciou e que só se compreende verdadeiramente encarnada na sua vida…
Portanto temos assim o Evangelho de facto ao vivo… daí que estes encontros, dezasseis a falar com ele, disse estar convencido - pelo menos para ele foi assim - temos de facto muito a aprender com eS.Paulo neste campo…
Ver como podemos nós cristãos, anunciar o Evangelho - não só os padres ou os bispos ou os catequistas - mas todos nós cristãos, temos que anunciar o Evangelho e é essencial sabermos como…e S.Paulo é, disse, um exemplo para ele muito rico, apesar de toda a distancia temporal que nos separa dele…
E sendo assim, desafiou-nos a partirmos para coisas concretas…
O que é que ele nos conta…?
Em primeiro lugar conta-nos a sua costela de cidadão romano (1)…um homem que nasceu em Tarso, com uma formação humana e uma mística académica se quisermos, própria de um bom cidadão romano, a família certamente rica, pois ele não se limitou a fazer a escola básica tendo feito o ensino superior… e manifesta nas sua cartas, um conhecimento profundo da língua grega e da retórica grega, que na altura era uma das disciplinas obrigatórias dos estudos superiores, S.Paulo conhece muito e domina perfeitamente a retórica grega, nas suas cartas ele manifesta isso, é portanto um homem que vinha de uma cidade a cidade de Tarso, que era uma metrópole, era a capital de uma província, era uma cidade onde se juntava muita gente e onde havia de facto muitas escolas filosóficas e o contacto com pessoas célebres que ali ensinavam.
Portanto, em primeiro lugar é importante conhecermos o homem, para podermos entender as intuições que ele teve mais tarde, quando da sua pregação.
Depois a sua condição de judeu, ele tinha as duas vertentes.
E estas duas coisas em profundidade, porque como judeu ele formou-se na escola de Gamaliel - que era uma escola famosa na época, ele estudou a sério e até enfileirou na elite judaica, isto é, no partido doa fariseus, que não tinham aquela maldade toda que os Evangelhos apresentam, havia claro alguns maus, mas havia também fariseus bons e S.Paulo era um bom fariseu, melhor dizendo era também um fariseu bom.
Portanto, começaremos por conhecer dois textos, onde ele nos fala de facto dessa sua condição.
E depois entraremos então na actividade dele e que se apercebe imediatamente, que é causa próxima da sua condição: a perseguição aos cristãos…(3)
Porque é que ele os perseguia…?
Quem é que ele perseguia…?
É importante saber isto e ele fala várias vezes nas sua cartas porque é que perseguia os cristão, mas é sempre no mesmo contexto…
Quando fala da sua conversão, antes refere que perseguia a Igreja…mas é importante saber que Igreja foi…
Disse não ir agora dizer aqui, porque se o dissesse, quando o ouvirmos já sabemos tudo…mas disse que era importante nos apercebermos disso, porque assim teremos a noção verdadeiramente da viragem que se deu na sua vida, com a sua conversão ao Evangelho….
Foi um salto, ou uma viragem de 180 graus, ele passou de um extremo para o outro…e então, vem o acontecimento principal, que é aquele que é tratado no quarto encontro que aí vem e se já repararamos, todos os títulos são retirados do texto onde ele depois nos fala e neste caso, 1ª aos Coríntios, Cap. 15, vers. 10 : pela graça de Deus sou o que sou. (4)
Se nós nos apercebermos e conseguirmos apreender verdadeiramente o que foi este acontecimento, nós teremos a chave, para percebermos todo o resto – quer a sua vida, quer a sua mensagem.
Até que ponto é fulcral…? – É fulcral, até porque tem uma dimensão tão grande, que ele pessoalmente que anda há tantos anos a estudar este homem, está sempre a descobrir coisas novas.
Por exemplo, ainda agora este verão fez esta interrogação em Cabo Verde, onde foi passar umas férias, pois tendo-o apanhado lá, convidaram-no para fazer conferências, mas na verdade confessou que também lá tinha estado em parte por causa do livro…e referiu que quando pegou no texto dos Actos dos Apóstolos, num dos textos, que são três…em que S.Paulo neste caso nos narra a sua conversão que é no Cap. 22, referiu que acabou perguntando-se: …porque é que Jesus quando apareceu a Paulo, o tratou por Saul: Saul, Saul…porque Me persegues…?
Referiu que infelizmente esta tradução não aparece por aí o que é uma pena…disse ter-se posto a reflectir sobre isto:…porque é que Jesus lhe chama Saul…?
Não lhe chama Saulo que é a mesma coisa que Saul, só que com a terminação grega, como os nossos nomes noutras línguas têm muitas vezes outra terminação…não lhe chama Saulo nem Paulo que era o nome greco-latino que ele tinha, há até quem diga que a tradição romana era terem três nomes…porque é que lhe chama Saul, Saul…porque Me persegues…?
Acrescentou que não teria tempo para o explicar aqui, mas que noutra altura o poderia fazer, mas que nos podia dizer que ficou encantado porque descobriu que Jesus não o poderia tratar de outra maneira…senão por Saul…
Exactamente esse tratamento, mostra-nos parte do caminho para percebermos o que foi este encontro com Cristo Ressuscitado…disse que talvez um dia mais tarde tenha tempo para isso, referiu que infelizmente não vem no livro, porque a intuição veio-lhe depois…mas é só para referir que esse acontecimento foi tão denso, tão denso…tão forte, que lê-se e volta-se a ler e S.Paulo, que não fala dele muitas vezes nas suas cartas o que é um coisa estranha, S.Paulo nunca o descreve – nunca descreve a sua conversão – fala dela algumas vezes abertamente, quatro cinco vezes, mas habitualmente com palavras diferentes o que significa que ele próprio tinha muita dificuldade, em exprimir o que foi aquilo e não admira - onde entre o sobrenatural, onde entra o sagrado, a linguagem humana não consegue exprimir tudo, nós próprios muitas vezes, temos esta reacção quando não conseguimos expressar por palavras acontecimentos que se passam connosco … por exemplo nos encerramentos dos Cursillos, quantas vezes não há palavras que exprimam o que sentimos…
Neste caso, nós vemos isso claramente em S.Paulo…ele tem dificuldade em explicar um acontecimento com uma densidade tão grande e é por causa disso que ele nos cinco primeiros encontros com S.Paulo, o colocou sempre a falar da sua conversão…porque o primeiro texto onde ele nos fala do seu nascimento em Tarso, é o texto onde ele nos narra a sua conversão, o segundo texto em que ele nos fala da sua condição de judeu – ter sido circuncidado ao oitavo dia – é outro texto onde ele nos fala da sua conversão…o terceiro texto onde ele nos fala da sua actividade de perseguidor é mais um da sua conversão...naturalmente o quarto onde ele nos fala da sua conversão, tinha que ser também um texto assim e para não ficar por aí, acabou por juntar mais um quinto, onde S.Paulo nos fala também da sua conversão – é um texto que não é muito abordado nessa perspectiva disse, mas ele vê ali claramente uma referencia à sua conversão, só que aí, ele fala dela mais na dimensão da sua condição de Apóstolo – ele quando se converteu a Cristo, quando Cristo o converteu – no mesmo acontecimento, ele foi constituído Apóstolo e é o tema número cinco, o quinto encontro com o título: A diaconia da reconciliação (5)…que é uma expressão muito bonita que ele usa para descrever em que é que consiste, a sua condição de Apóstolo – a Diaconia da Reconciliação – um texto muito denso, que tem que ser lido depois muito calmamente, por isso mesmo é que ele gastou quase dez anos de volta dele - na sua tese de doutoramento, andou de volta deste e de outros textos de uma densidade que é única…
Temos então S.Paulo convertido, temos S.Paulo Apóstolo e agora iremos ouvi-lo a seguir no sexto encontro, na sua actividade apostólica e missionária…
E a primeira pergunta que se coloca, é como é que ele conseguia conquistar os cristãos para o Evangelho…ou por outras palavras: como é que ele constituía Comunidades cristãs…e temos o exemplo - não da primeira que ele fez, mas um exemplo tirado da primeira Carta que ele escreveu, que também é o primeiro escrito do Novo Testamento: 1ª Carta aos Colossences …e onde ele escreve como é que eles acolheram o Evangelho…
E… o que é eles depois fizeram com o Evangelho…?
- Como é que eles acolheram o Evangelho…?
Nós bem poderíamos fazer um exame do que são as nossas comunidades cristãs…seria um bom exercício se nós conseguíssemos ver aqui, o espelho do que é uma comunidade cristã…
S.Paulo depois continua a viajar connosco e então ao Sétimo Encontro (Desde Jerusalém irradiando até à Iliria… onde ele nos fala das suas viagens apostólicas – narradas longamente nos Actos dos Apóstolos, e que aqui vêm apenas resumidas e disse ter-se servido de uma palavra de Paulo, escrita na Carta aos Romanos, que provavelmente foi a última Carta que escreveu ainda vivo, porque ele teve esse condão: mesmo depois de morrer continuou a escrever…
A última Carta foi a Carta aos Romanos, escrita em Corinto durante três meses de Inverno ( de Inverno não se podia viajar ) e então calmamente escreveu uma Carta que é única…e acrescentou para sabermos, que a Carta aos Romanos havia sido escrita para preparar a vinda de S.Paulo ao nosso país…
Quer dizer, o nosso País, ou melhor a nação não existia, mas o território esse já existia e ele preparou a sua Carta aos Romanos, para ir anunciar o Evangelho à província Romana da Espanha, à qual pertencia também o território, onde nós hoje estamos situados…
E então, Paulo faz um apanhado da sua actividade anterior e sai-se com esta frase que é título: desde Jerusalém irradiando até à ilíria, dei plenamente a conhecer o Evangelho de Cristo (7), por outras palavras: desde a Ilíria que era a parte mais oriental do Império Romano, (quer dizer, da Itália para lá… a Ilíria ficava pegada à Albânia…) diz ele: desde a Ilíria até Jerusalém…está tudo evangelizado…!!!
É uma afirmação arrojada, mas S.Paulo di-lo claramente… é claro que ele diz aqui depois outra coisa…irradiando…porque ele não andava assim de terrinha em terrinha anunciando o Evangelho…
Ele escolhia centros grandes, centros populacionais importantes…sabendo que depois que a semente que ali anunciava, que a Comunidade que ali nascia, se encarregava de irradiar á volta e por isso, não perdia tempo…de maneira que o que ele dizia era que ali estava tudo feito, agora podemos ir à Espanha…
Nos encontros oitavo (Nós aos gentios e eles aos circuncisos ) e nono (Pedro retirava-se e separava-se, com medo dos partidários da circuncisão ), é dado realce a dois obstáculos que ele encontrou no anúncio do Evangelho …ele encontrou imensos obstáculos, mas os mais difíceis de transpor foram dentro da própria Igreja…ou seja, vencer as barreiras do judaísmo dentro do qual nasceu a fé em Jesus Cristo…
Isto foi um árduo caminho…tão difícil, que os judeus hoje ainda não são cristãos…
Foi extremamente difícil o problema da circuncisão, acrescentou que não iria agora explicar porque tinha sido um problema tão complicado, esperando que no livro consigamos perceber isto…e depois as relações entre os cristãos vindo do judaísmo e os cristãos vindos do paganismo, dentro da Comunidade cristã…e aí Paulo teve uma rotura aberta com Pedro e foi até mal educado, achou que também nos deveria chamar a atenção para isso:…chamou hipócrita a Pedro…e chama-lhe aqui na Carta aos Gálatas…
Foi uma rotura terrível, mas ao mesmo tempo providencial, porque por via dessa rotura ele deixou-os a todos: largou Pedro, largou também Barnabé com quem tinha feito a primeira viagem missionária…largou Antioquia que era o centro de onde irradiou o cristianismo…largou aquilo tudo, pegou em novos colaboradores e livre daquilo tudo, teve os anos mais belos, mais ricos, de toda a sua actividade apostólica…às vezes, há males que vêm por bem, acrescentou…
Mas de qualquer maneira foram grandes obstáculos, porque punham em causa o seu Evangelho e punham em causa uma outra coisa que lhe era muito querida…
- Havia dois amores que S.Paulo tinha, mas um vinha em primeiro lugar …
O maior amor que ele tinha era o Evangelho…por ele, S.Paulo dava tudo…por isso, ele chamava nomes às pessoas e aos que se portavam mal…chamava-lhes por exemplo: cães…refere isso na Carta aos Filipenses: cuidado com esses cães…
Pelo Evangelho ele dava tudo, quem lhe tocasse no Evangelho, ele então espirrava logo…
O outro amor, era a unidade entre os cristãos…unidade entre os cristãos, quer dentro da mesma Comunidade, quer dentro de outras comunidades cristãs…
Este amor, custou-lhe a vida…foi por causa disto é que o mataram…foi por ocasião de uma colecta que ele organizou entre as comunidades por ele fundadas na Ásia Menor e na Grécia…uma colecta que ele organizou a favor da comunidade cristã de Jerusalém, que ele fez questão de ir entregar pessoalmente e foi nessa ida que o apanharam, que o prenderam e foi a partir daí, que foi de facto a Roma mas para morrer…este era então o outro amor que ele tinha: a unidade entre os cristãos, porque é uma expressão do Evangelho, só que a unidade, não pode sacrificar o Evangelho, não pode sacrificar Cristo ou então, fica sem fundamento…
Então primeiro estava o Evangelho e a seguir a unidade, isto a propósito desses dois destaques que ele teve que vencer, ele e os primeiros cristãos…
Depois, vêm alguns aspectos importantes na sua actividade missionária…disse que no Décimo e no Décimo Primeiro Encontros, poderíamos encontrar um dos textos mais bonitos das suas cartas, a que nós habitualmente chamamos o Discurso de Loucos, de facto, ele assume mesmo o papel de um doido e diz que o que vai fazer é uma loucura…
Nestes textos S.Paulo apresenta-nos uma lista de todos os obstáculos de todos os géneros que ele teve que enfrentar na sua actividade apostólica, tudo… o último a que ele faz referencia é o que chama o espinho na carne e que o levou a pedir três vezes que Cristo o libertasse disso…e a resposta de Jesus: basta-te a minha fé…
Então ele conclui o seu discurso com esta frase célebre: quando me sinto fraco, então é que sou forte (11) …este é talvez um dos textos mais lidos, onde o Evangelho aparece encarnado na sua actividade apostólica…é que S.Paulo, quando pregava o Evangelho por palavras, as pessoas viam-no na sua própria vida…no modo como ele se comportava, nos obstáculos que ele enfrentava, na cruz que ele era obrigado a levar continuamente até ao fim…e ficavam com uma visão muito enriquecedora do que ele foi…e depois - e esse é um outro aspecto… retoricamente ele é de uma beleza única, mas isso é um aspecto de que não nos iria agora falar…
Um outro aspecto da sua pregação e S.Paulo fala disso muito nas suas cartas…é que ele anunciava o Evangelho de graça, ele não aceitava nenhuma remuneração, por isso é que ele trabalhava...
É verdade que a sua profissão também lhe permitia que onde quer que ele fosse, encontrasse trabalho…e teve tanta sorte, que até em Éfeso encontrou um casal de cristãos, Aquila e Priscila que trabalhavam no mesmo ramo e eles fizeram logo uma mini-firma…
S.Paulo - e disse-o várias vezes, não aceitava nada e ia ao ponto de dar a entender...prefiro que me matem, é nesse contexto que ele diz (1 Cor, 9, 16): ai de mim se eu não evangelizar…
Ele pregava o Evangelho gratuitamente e fazia-o para que o Evangelho aparecesse na sua pureza…para que não aparecesse como uma mercadoria…mas Paulo era dos poucos que fazia isto, S.Pedro por exemplo que normalmente era remunerado, até porque ele levava a mulher com ele e sendo pescador que outra actividade poderia ter para ganhar o seu sustento e o dos seus…?
Mas S Paulo diz mesmo aos cristãos, que era sua obrigação pagar àqueles que lhes anunciavam o Evangelho, aliás o próprio Cristo deixou-o referido em dois Evangelhos…
É um outro aspecto da sua actividade missionária, no Encontro treze e que é uma pergunta que muita gente faz: como é que ele em oito/nove anos, como é que ele conseguiu fundar Comunidades Cristãs em tantas cidades…?
Um dos segredos, era a estrutura doméstica das comunidades cristãs…isto é: a sociedade de então estava organizada em grandes famílias…a economia de um país dependia das grandes famílias – grandes no sentido de que além do marido, da esposa e dos filhos, tinham depois os criados, tinham ainda os escravos, tinham também os assalariados conforme fosse o seu trabalho, daí que formavam autenticas firmas, e a sociedade era toda ela assim…aliás a própria palavra Economia vem daí: Oikos - casa… nomia – seria a legislação da casa…
De maneira que em vez de se converterem individualmente, era muitas vezes a família inteira que se convertia…mesmo que um ou outro escravo ficasse de lado, mas era a maioria que se convertia e pronto, ficava uma comunidade formada, estruturada, e o chefe da comunidade era o chefe de família… ele é que presidia às reuniões, ele é que presidia à Eucaristia – era a estrutura doméstica das comunidades cristãs…
Um outro ponto importante da sua actividade apostólica de que fala o Encontro Catorze (Entregou-se comigo a servir o Evangelho)…ele fez o impossível para ter os seus colaboradores e o Sr. D.Anacleto, desafia-nos a vermos como S.Paulo os trata e disse que quando estava a escrever este Tema, se lembrou muito dos Bispos e dos Padres… todos têm muito que aprender com S.Paulo, muito…aliás, todos temos muito que aprender…
S.Paulo não tratava os seus colaboradores como seus criados…aliás falando deles S.Paulo dizia que eram com ele, colaboradores de Cristo…falando de Timóteo diz mesmo: escravo de Cristo…
Os colaboradores não trabalhavam com ele por causa do Apóstolo, mas eram com ele co-responsáveis… S.Paulo dava-lhes plena responsabilidade…em muitas cartas aparecem até como remetentes da Carta, portanto as cartas foram escritas, pensadas e reflectidas em conjunto…
A Igreja ainda hoje tem muitas limitações, mas ainda bem que se está a abrir para isto: a deixar de ser uma Igreja clerical e ser de facto uma Igreja dos leigos, ou se quisermos, os detentores de outros Ministérios –( mesmo que não sejam ordenados e que são a maior parte), têm responsabilidades, trabalham…mas não são assalariados de ninguém…
É um ponto importante, apercebermo-nos do carinho com que S.Paulo trata os seus colaboradores e são tantos…referidos são quarenta…
E acrescentou terminar a primeira parte, com dois encontros em que S.Paulo nos prepara o terreno para fazer a transição do tempo dele, para o de hoje – as suas Cartas…
Nós hoje não estaríamos aqui nem este seria o ano jubilar de S.Paulo, se ele não tivesse escrito treze cartas…em vida sete e depois de morrer possivelmente mais três, acrescentou…
São as chamadas proto-paulinas (Romanos, Gálatas, 1 Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, , Filipenses e Filemon) as que ele escreveu em vida e as dêutero-paulinas (1 e 2 Timóteo, Tito) e as restantes: Efésios, Colossences, , 2 Tessalonicenses …
-Proto significa 1º e deutero 2º -
Chamou-nos a atenção para o facto de não nos devermos escandalizar pelo facto de falarmos de Cartas escritas por ele depois de morrer, claro que ele não veio cá abaixo à terra para escrever…o que aconteceu, é que antes de partir para o Céu, deixou cá pessoas suficientemente preparadas e doutrinadas para poderem depois escrever livremente em nome dele, os seus colaboradores…aqueles a que nós hoje chamamos até, a Escola Paulina…
Temos no Novo Testamento, treze títulos – e o Novo Testamento é constituído por vinte e sete, portanto metade menos um…dos Livros do Novo Testamento, são de S.Paulo…
Mais ainda, referiu: S.Paulo foi o inventor desta maneira de escrever…
No Antigo Testamento, tirando partes de um livro ou outro…não há nenhum livro inteiro que seja uma Carta…
Do Novo Testamento, de vinte e sete livros…só cinco é que não são Cartas…os Quatro Evangelhos e os Actos dos Apóstolos…
Todos os outros são Cartas, até o Apocalipse é uma Carta…todos eles aprenderam com S.Paulo…foi ele que encontrou nas Cartas, o instrumento privilegiado para o manter unido às suas comunidades e continuar a alimentar a sua vivencia cristã… a sua ligação ao Evangelho…
E portanto, disse… são instrumentos preciosíssimos ainda hoje e por isso é que S.Paulo nos continua a falar ainda hoje passados vinte séculos … através desse conjunto de escritos que nós temos dele – as suas Cartas…
Sejam elas escritas por quem foram…referiu que nos diz alguma coisa disso, não muito mas diz alguma coisa, no primeiro tema…
No segundo, ou seja nesta caso o último desta primeira fase, há uma Carta muito especial de que ele fala …tem uma expressão muito linda: sois uma Carta de Cristo administrada por mim…escreve ele aos cristãos de Corinto…isto é: quem quiser saber aquilo que eu sou…vá ter convosco…e aquilo que eu sou encontra-se em vós…
Vós sois uma Carta de Cristo, isto é: escrita por Cristo e administrada por mim…é uma espécie de secretário…
E isto é muito interessante, porque nós apercebemo-nos porque é que ele escrevia as carta: para que as Comunidades, se tornassem uma Carta…
As cartas escritas por si próprio materialmente, eram enviadas para que as comunidades cristãs vissem escrito nelas, aquilo que S.Paulo transmitia por escrito, através dessas mesmas cartas…
Em aparte referiu que isso havia aparecido num contexto muito especial que não ia aprofundar aqui…agora era preciso ir para a frente porque daqui a pouco era meia noite e não queria que acontecesse como em Mileto onde S.Paulo se pôs a pregar à noite na despedida dos cristãos…S.Paulo pregou tanto, que um rapaz que estava sentado no peitoril da janela - e vem contado nos Actos dos Apóstolos - adormeceu, caiu e morreu …disse não querer que isso acontecesse aqui hoje, até porque não era capaz de fazer como S.Paulo fez, que depois ressuscitou o rapaz…
Então a seguir, S.Paulo fala-nos agora da nossa vida cristã…depois de nos anunciar o Evangelho - se repararmos a primeira parte é um anúncio contínuo do Evangelho, encarnado na vida dele … agora fala-nos da nossa vida cristã…
Como é que nós nos tornámos cristãos…?
Que itinerário é que nós percorremos…?
Claro que cada um terá o seu itinerário disse… mas genericamente não haverá um itinerário mais ou menos comum…?
É claro que há, acrescentou…a primeira coisa de que S.Paulo nos fala é da condição de não cristão…isto é: o que é o drama do pecado…
A primeira das consequências negativas que o pecado tem ao nível social: destruidor das relações humanas, ou inter-humanas e depois a seguir ao pecado…a rotura que ele cria no interior de cada pessoa…
Ele refere-se a isto bem expresso no Capítulo sétimo da Carta aos Romanos, onde ele repete três vezes:…Mas então já não sou eu que o realizo, mas o pecado que habita em mim…; É que não é o bem que quero que faço, mas o mal que eu não quero, isso é que eu pratico…;…Ora se o que eu não quero é aquilo que faço, então já não sou eu que o realizo, mas o pecado que habita em mim…
E depois disso tudo, é um autêntico grito o que ele diz: Que homem miserável eu sou! Quem me há-de libertar deste corpo que pertence à morte ? (18)
E depois diz: Graças a Deus, por Jesus Cristo, Senhor nosso!
É uma a resposta que ele dá porque já está do outro lado…ele vê o que é o pecado, mas fala na primeira pessoa do singular…muitas pessoas pensavam que ele estava a falar dele próprio, não, até aí ele usa uma retórica muito interessante, porque para o pecador só há um ego…que se transforma em egocentrismo e em egoísmo…
O pecador é um isolado…
E como é que a gente se liberta do pecado…?
Através da Graça…a Graça que ele exprime na frase tirada da Carta aos Romanos: Deus ofereceu o Seu Filho Jesus, para Nele pelo Seu Sangue, se realizar a expiação que actua mediante a Fé…(19)
É um texto que mostra que de facto nós nos tornámos cristãos, não pelos nossos méritos…mas é o seu Amor e o Perdão é que nos conquista…esse Amor único, que Ele manifestou na Morte de Seu Filho…de quem S.Paulo diz na Carta aos Romanos:… foi tão grande o Seu Amor que nem sequer o Seu Filho Próprio poupou…
Recebemos esta graça e depois como é que isso se concretiza no nosso itinerário cristão…?
Somos baptizados…a primeira coisa, somos baptizados…
Dois temas sobre o Baptismo(20,21)…a seguir, dois temas sobre a Eucaristia (22,23), que é outro Sacramento fundamental na nossa caminhada cristã …
Não fala ele, nem sobre a Penitencia, nem da Confirmação…nem da Unção dos doentes…ele não fala de tudo e por isso também aqui não vem… nas Cartas não fala nisso…
Mas fala da Ordem…fala do Matrimónio (25)…
Do Matrimónio fala num texto que é dos textos mais belos sobre o Matrimónio cristão…a Teologia do Matrimónio e infelizmente esse texto é dos mais mal amados…
É aquele que, sobretudo as noivas quando o ouvem espirram logo e ficam por ali…e deixam de poder suportar S.Paulo a partir dali…
Ele diz: as esposas sejam submissas aos maridos…aliás Paulo até vai mais longe: subordinadas aos maridos…e quando o ouvem, colocam-no logo de lado, o que é uma pena…
Disse-nos que havia escrito este texto, que lhe deu muito trabalho, mas que era uma tentativa de conquistar alguns para a grandiosidade do texto…até porque S.Paulo aí, também mostra o jeito que ele tinha, exactamente para expor a sua retórica…
Ele não diz abertamente que as esposas se subordinem aos seus maridos…ele começa por dizer: subordinai-vos todos uns aos outros…
Claro que ninguém ouve isto…nem as noivas, se elas ouvissem bem, diriam.: Afinal também é para eles…
S.Paulo diz: subordinai-vos todos uns aos outros…as esposas aos seus maridos …mas quando fala das esposas ele já não usa o verbo subordinar, nunca mais o usa…e depois no seguimento do texto ele já não fala das esposas e só fala para os maridos…
E então começamos a apercebermo-nos que de facto se há alguém que leva mesmo a sério neste texto são os maridos…
Chega ao ponto de quase dar a entender, que os maridos tem que estar disposto, a dar a vida pelas esposas…bela subordinação, acrescentou…e mais disse, que isto era para vermos como o texto era tão rico, tão denso…e é uma pena que as pessoas o tenham efectivamente esquecido, por causa de uma coisa que é mal entendida …sendo evidente que S.Paulo tinha os pés bem situados no seu tempo e sabia muito bem que no seu tempo era assim…que a esposa devia viver subordinada ao marido e em todos os campos…ela era às vezes mesmo escravizada…
S.Paulo sabia que não podia fazer uma revolução social, nem pretendeu fazê-lo…aliás disse, noutros campos sociais foi mais longe…por exemplo em relação aos escravos: diz até que os escravos cristãos, devem permanecer escravos…mas logo a seguir acrescenta: porque todos somos escravos de Deus…portanto, escravos e patrões, todos iguais perante Deus…
E depois diz noutro sítio…que os escravos cristãos devem ser tratados como irmãos…ou seja: ele seguia um método diferente, que é muito mais eficaz do que outros que são seguidos por aí e não dão resultado, ou pelo menos não dão o resultado que deveriam dar: ele não se preocupava em mudar as estruturas, ele mudava as pessoas, sabendo que quando as pessoas mudam…as estruturas são mudadas por arrastamento…e a frase que ele diz mais de que uma vez: entre vós que fostes baptizados, que fostes revestidos de Cristo…não haja judeu nem grego, não haja escravo ou homem livre, não haja letra masculina ou feminina…continua a haver homem e mulher, o que não há é separação, não há é segregação…todos são um só em Cristo…pelo que dentro das comunidades cristãs, a estrutura social já estava arrumada…
Finalmente neste quinto ponto… nesta segunda etapa, vem um tema que é a identidade do cristão…
Como é que um cristão se distingue doutras pessoas…isto é: qual é a nossa farda, qual é a maneira que temos de nos identificar, uma grande parte de nós, alguns até de um modo aparatoso…desde um policia a um médico…até às vezes a própria farda, é feita para facilitar a opção de trabalho que temos, a responsabilidade que recai sobre nós…
E então S.Paulo pergunta qual a veste de um cristão…temos essa frase que é do Encontro vinte e seis…:
Acima de tudo, revesti-vos da Caridade que é o vínculo da perfeição...portanto o que identifica o cristão é a Caridade…é o Amor…(26)
E passemos à terceira parte…: S.Paulo agora fala-nos da Igreja onde somos integrados pelo Baptismo…(Paulo fala-nos da Igreja de Deus )
Este tema disse, é para ele (D.Anacleto) muito importante e infelizmente pelas piores razões…afirmou pensar - e que havia muitos que pensavam como ele…que uma das grandes falhas dos cristãos de hoje, é a falta de consciência de que são Igreja…disse estar convencido que aí 80% dos cristãos, para eles igreja é o edifício, é uma Instituição, onde de vez em quando vão pedir uns serviços, mas de facto não se sentem Igreja…
Aliás alguns dizem claramente; eu cá tenho a minha fé…nessas circunstancias disse que costuma dizer: ainda bem que a tem, aliás a fé é sempre pessoal…
Mas é preciso, reforçou, que tenhamos consciência de que não podemos ser cristãos senão em Igreja - não há outra saída…
Este Tema é muito importante, daí que S.Paulo nos queira demonstrar como a Igreja é fundamental para a nossa condição de cristãos…
Começa logo com a imagem do corpo, muitos membros (28,29 )…
Cada um de nós é um membro…pois esse membro separe-se do corpo e veja o que lhe acontece…e o que acontece ao corpo sem esse membro…
Desafiou-nos a escutar S.Paulo e em aparte disse que talvez nós fossemos os que menos precisávamos, mas se muitos de nós a termos consciência de que somos membros de uma Igreja, e a sentirmos que só aí é que podemos ser cristãos… que não há outra saída, que não há outra hipótese…porque o Corpo de Cristo é a Igreja…
Encontra-se Cristo é na Igreja…
Não quer dizer que Ele esteja só confinado à Igreja, mas a riqueza da Sua Graça, da Sua Palavra, do Seu Evangelho…é na Igreja…
A Igreja, é a sequência lógica de Cristo…
Continuando, acrescentou…são várias temas que vêm no livro, são várias imagens que lá vêm e por isso lhe pareceu importante esta insistência…
E acrescentou: depois, do que é que vive a Igreja?
Todos nós sabemos que a Igreja tem três campos de acção…três áreas onde exercer a sua pastoral…
A Igreja ensina…
A Igreja celebra…
A Igreja pratica…o Amor…!!!
Também S.Paulo fala disto…: do que é a Palavra de Deus, do que é a Bíblia…
A seguir, em vez de nos falar da Celebração em geral, em vez de nos falar da Oração - porque a Celebração é para rezar, fundamentalmente…
Apresenta-nos uma Oração belíssima, uma Oração de Bênção (33)…o principio da Carta aos Efésios (Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos altos céus nos abençoou com todas as espécies de bênçãos espirituais em Cristo…)…é daquelas orações que nós podíamos rezar permanentemente, que nunca conseguiríamos chegar á plenitude…que S.Paulo de facto ali manifesta, nessa oração…
E depois sobre a Caridade (34), sobre o Amor, claro que tinha que ser…aquilo que habitualmente se chama por aí, o Hino à Caridade e disse não gostar da palavra Hino, porque de facto não é um poema…disse que se deveria antes chamar: o Elogio à Caridade…Capítulo 13 da 1ª carta aos Coríntios…(Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor…)…
Depois, alguns aspectos da vida da Igreja, um ou outro, com mais actualidade: o lugar da mulher na Igreja… e disse ser um tema que teve que tocar, porque infelizmente é uma das acusações que se fazem a S.Paulo de que ele sofria de misoginia (aversão às mulheres …a misoginia fundamenta-se numa crença da inferioridade da mulher)…
Não é verdade de maneira nenhuma, diz uma coisa às vezes mais duras para as mulheres, porque elas às vezes também precisavam de as ouvir…
Mas é evidente de que quando S.Paulo fala destes temas…é para tentar resolver casos concretos…
Ele abre-nos pistas, para termos uma visão mais alargada…mas nem sempre é fácil e por isso é que o Sr. D.Anacleto nos sugere no fim…leituras complementares para quem quiser ter uma visão mais genérica, lendo outros textos da Bíblia, ou então do Magistério da Igreja, ou do Catecismo da Igreja Católica …
Depois, disse, tem duas componentes da vida da Igreja, que lhe parecem importantes, que é:
A relação que deve existir entre Igrejas …
Para já, S.Paulo fala desta relação a propósito de uma colecta feita a favor da Comunidade de Jerusalém, que foi verdadeiramente o método que ele encontrou para manter a unidade…
E é muito importante o modo como ele fala do significado…que é hoje até uma das expressões muito ricas que nós temos… que nós temos de ligação com outras Igrejas, sobretudo de outros continentes…de geminações com outras Dioceses, onde de facto o elemento material também existe e é também muito importante para ajudar os mais pobres…
E finalmente, disse…um último aspecto da Igreja, que é a relação dos cristãos, das Igrejas cristãos…com outras religiões…
Claro que S.Paulo só nos fala da relação com o judaísmo…mas representa uma visão nessa relação, que é de nos deixar assim…perplexos…
No fundo ele diz que os Caminhos de Deus…são insondáveis…
E entrou a falar da quarta etapa…o nosso comportamento cristão, a nossa conduta cristã…
É outro aspecto muito importante…e porquê?
Pela mesma razão que o anterior era também importante…
Infelizmente, uma grande parte dos nossos cristãos não têm fé…não se comportam como cristãos…hoje vivemos numa sociedade laica, onde somos cada vez mais… minoritários teoricamente…vivemos num perigo ( nós que deveríamos transformar a sociedade) de nos deixarmos transformar pelos vícios dessa mesma sociedade…e infelizmente a maior parte dos cristão, não tem nem valores cristãos…
Acrescentou que esta situação é semelhante à do tempo de S.Paulo, e convidou-nos a pensar por exemplo na comunidade cristã de Corinto, a que S.Paulo escreve pelo menos três cartas, nós só temos duas hoje, mas sabemos que ele escreveu uma terceira...
Era uma cidade, que teria à volta de cem mil habitantes e os cristãos seriam…cem, duzentos, no máximo…
Manter aqueles cristãos numa sociedade onde existiam vícios de toda a ordem...mantê-los como cristãos, era uma preocupação importante de S.Paulo, era fundamental, para a sobrevivência do cristianismo…
E hoje, é fundamental também…por isso essa parte parece-lhe ainda actualizada…
Em primeiro lugar e genericamente…em que é que consiste o nosso comportamento cristão…?
Em que é que consiste a nossa Moral Cristã…?
Na oferta dos nossos corpos…não nos deixarmos contaminar pelos pensamentos e pelo modo de viver do mundo…
Primeiro…vamos ao ataque, isto é…: o cristão é aquele… cuja liturgia celebrada nas Celebrações, depois é vivida na prática do dia a dia…na oferta dos nossos corpos, das nossas vidas aos outros…tendo o cuidado de não nos deixarmos contaminar, pelos males que nós encontramos no mundo…e S.Paulo di-lo: pela Misericórdia de Deus (38)…
Ainda nesse aspecto insiste no comportamento, sobretudo no interior das comunidades cristãs… (39) Tende entre vós os mesmos sentimentos de quem está em Cristo Jesus…
E aqui S.Paulo apela à comunhão e à unidade entre os cristãos…
Depois, diversos temas que ainda andam na berra, disse…
- A Liberdade…!!!
Nós somos livres…e S.Paulo lembra-nos isso: Foi para a Liberdade que Jesus Cristo vos libertou…
E depois repete: Foi para a Liberdade que vós, irmãos, fostes chamados…(40)
Mas que liberdade… perguntou D.Anacleto…?
E acrescentou…este é um tema actualíssimo…porque nunca se falou tanto de liberdade e nunca se fez tanta asneira sobre a liberdade, como hoje…
Depois também o trabalho: se alguém não quer trabalhar, também não coma (41) …
Ora aí está…mais claro, não pode ser…mas não deturpemos…é bom que leiamos tudo, que não tiremos o quer…
Paulo não diz: se alguém não trabalhar, não coma…ele não diz isso…
- Se alguém não quer trabalhar, não coma… é um titulo muito claro… e convidou-nos depois, a vermos porquê…
É claro que é importante compreender um poucochinho da teologia do trabalho, acrescentou… o significado do trabalho…
Depois…a sexualidade…um outro tema que anda na berra por aí…
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo ?...(42)
É tão belo este tema…
O corpo tem sido tão desprezado em todos os sentidos ao longo da história do cristianismo e pelas razões mais opostas…
É templo do Espírito Santo…o corpo é sagrado…é lá no corpo…que se encontra o Espírito Santo…
Depois, um texto sobre as relações entre os cristãos e ao nível familiar, disse ser um texto um bocadinho genérico…que aqui teve de fazer um bocadinho de ginástica, porque queria que todas as Cartas de S.Paulo tivessem no livro um bocadinho e teve que meter aqui um texto da Carta a Tito, senão ela ficava muito de fora…mas é bonito e convidou-nos a lê-lo…
E disse para vermos os efeitos que o nosso comportamento cristão pode ter – conforme pode ser um comportamento bom ou mau - aconselhou-nos a lermos as palavras de São Paulo, apresentadas no Tema 44, onde ele ralha com os cristãos de Corinto…porque eles vão aos Tribunais do Estado, aos Tribunais Públicos, resolver questiúnculas entre eles …( Não haverá entre vós, alguém suficientemente sábio que possa julgar entre irmãos…?)
E hoje se calhar…também acontece…!!!
E qual é o efeito disto…?
O efeito, é que as pessoas que não são cristãs dizem: então se eles são assim, com que autoridade é que eles nos querem conquistar… para quê…?
E chamou-nos a atenção para o facto de o nosso comportamento negativo…poder ser uma destruição do Evangelho em que acreditamos…?
Depois a presença dos cristãos no Estado…a sua responsabilidade estatal…coisas muito concretas… Que toda a pessoa se subordine às autoridades públicas…(45)
S.Paulo manda-nos pagar os impostos, ora aguentem, disse…
É um tema muito duro…disse ser um tema onde discutiu mais com S.Paulo no comentário que depois faz a seguir, porque hoje as autoridades são o que são…mas na altura ainda eram piores…
E ele atreveu-se a dizer, para as pessoas se subordinarem às autoridades publicas…quando as autoridades públicas faziam mal aos cristãos…
Mas ele às tantas deixa-nos uma deixa, em que nos abre o caminho para em determinadas circunstâncias nós também podermos dizer que não às autoridades públicas, sobretudo, quando são leis ou normas…que são contrárias à nossa consciência…
Depois manda-nos rezar por todos…também pelas autoridades públicas…é muito interessante isto (46) Exorto pois, a que antes de tudo se façam preces, orações, suplicas, acções de graças por todos os homens…
E finalmente, uma última coisa neste encontro, que lhe pareceu ser muito importante num cristão, que é um texto belíssimo …no qual ele disse ter perdido uma noite inteira com ele…
São Paulo insistia nisto:… (47) Alegrai-vos sempre no Senhor…é um texto pequenino, mas onde S.Paulo diz tudo, tudo…sobre a alegria…
Uma teologia da alegria, admirável…e então se nós soubermos o contexto em que isso foi escrito, é de ficarmos mesmo admirados…como é que este homem que devia estar extremamente triste… aliás, a Carta aos Filipenses é a Carta em que ele mais insiste na alegria e chamou-nos a atenção para o facto de ter sido uma Carta escrita da prisão…em que ele não sabia se o iam matar, quando escreve isto…
A alegria é o tema dominante de toda a Carta…
Finalmente no itinerário cristão…o que é os espera: …qual é o nosso futuro…? (Quinta Parte Paulo fala-nos da vida que nos espera…)
Primeiro a esperança… (48)
Um tema muito importante que aliás é tema da última Encíclica do Papa sobre a Esperança…
Depois…o mistério da morte (49) Deus, por meio de Jesus Cristo, conduzirá com Ele, os que adormeceram… é um mistério sempre…
Mesmo depois de Cristo ressuscitar…é um mistério…!!!
De seguida…o Juízo Final…
O Juízo a que nós seremos sujeitos depois da nossa morte… (50) Todos nós devemos ser revelados perante o Tribunal de Cristo…
Não nos livrámos disso….
E ainda bem que não nos livrámos, disse…significa que Deus nos respeita, faz-nos responsáveis…livres…
E depois…um tema de uma actualidade enorme…
A ressurreição dos mortos… (51) Como serão ressuscitados os mortos…?
Disse estar convencido de que se fizessem uma sondagem aos cristãos…possivelmente, mais de 50% diriam que não acreditam na ressurreição dos mortos…e o interessante, é que o dizem, pela mesma razão que já os cristãos de Corinto diziam…: com que corpo é que nós ressuscitamos…?
Hoje as pessoas também dizem: o quê…então este corpo vai para debaixo da terra…na melhor das hipóteses…
Alguns até dizem: e os que têm transplantes…?...É uma chatice depois, não é…?
Com que corpo é que nós ressuscitamos…
É muito interessante esta preocupação de S.Paulo…e no fundo, vai ao encontro de uma veneração que nós temos hoje muito grande, pelos corpos dos defuntos…
Todos certamente conhecem o drama que é…o corpo de um defunto não aparecer…
E S.Paulo diz-nos…que nós haveremos de ressuscitar com um corpo espiritual, mas atenção disse:
Espiritual…não é primariamente invisível…nós é que dizemos que espiritual é invisível…não é…é muito mais do que isso…
E finalmente…a Última Vinda de Cristo… (52 ) O dia do Senhor chega de noite, como um ladrão…
Este mundo há-de perder as suas misérias definitivamente…
Cristo há-de voltar...isso faz parte da nossa fé…!!!
Como é que tem de ser a última vinda de Cristo…?
Como é que nós havemos de participar nisso…?
Depois de tudo isto, há que falar de um tema, já fora das cinquenta e duas semanas, mas que é um tema que achava que deveria ser tratado…
Como é que S.Paulo morreu…mas sobretudo, qual o significado que ele antes de morrer deu á sua morte… e bastantes anos antes de morrer…
Epílogo: Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro…
E como é que agora, cada um destes temas podem ser tratados, perguntou…?
Como podemos ver…está aqui mais ou menos o itinerário da nossa vida cristã…temos aqui praticamente tudo e não temos aqui de longe… nem uma décima parte do que S.Paulo escreveu…
Disse que quem já começou a ler, há-de reparar que cada tema, tem neste livro só três páginas…e talvez alguém diga: três páginas… eu arrumo isso se ler a eito, no máximo em dez minutos…
E o Sr. D.Anacleto …pede que levemos pelo menos meia hora…
Diz que escreveu pouco de propósito…
O que está no centro de cada um dos encontros…é uma passagem das cartas de Paulo, alembrando que só o primeiro é que é dos Actos dos Apóstolos…
E se de facto é um encontro com ele...nós vamos para o ouvir e portanto…há que dar toda a importância a esse texto de S.Paulo…isso é o principal…
Acrescentou que fazia uma introdução… para sabermos o que é que ele fala, em que situação, em que contexto…na carta…
E um bocadinho também para espicaçar, digamos, a curiosidade dos leitores …
Disse que a seguir o texto é transcrito para o livro, por uma questão de comodidade…também para as pessoas não terem que segurar o livro numa mão e a Bíblia na outra…mas que a principal razão, se deveu ao facto de a tradução às vezes nem sempre ser fiel…já antes deu o exemplo de Saul, Saul…porque Me persegues…quando habitualmente se diz por aí: Saulo, Saulo…porque me persegues…?
Essa foi a principal razão porque transcreveu o texto de S.Paulo para o livro e também, como já disse, as pessoas o terem aqui á vista…poderem juntar o comentário, ao texto…
A seguir ao texto, vem então o comentário que juntou, para ajudar a compreender o texto…
E então, como deveremos ler..?
A sugestão é ler devagar do principio ao fim…porque mesmo o comentário que fez é para ser lido de devagar…de outra maneira não o compreenderemos…
Disse que ele mesmo, ainda hoje o tem que ler devagar e mais foi ele que o escreveu…
Disse também ter feito o propósito…de não escrever em cada Encontro, mais do que cinco mil e quinhentos caracteres…embora às vezes tenha sido obrigado a fazer uma grande ginástica… mas que o fez de propósito…
No entanto, disse…o que lhe interessa nem é que leiamos o que ele escreveu…o que deseja mesmo…é que leiamos os textos de S.Paulo…portanto, devemos ler de princípio ao fim… devagarinho …
E depois, voltemos ao texto de S.Paulo…e fiquemos lá…
Que se de vez em quando quisermos ir ler novamente o comentário para perceber melhor alguma coisa, que o façamos…mas que depois voltemos ao texto… leiamo-lo, e releiamo-lo e voltemos a lê-lo…e outra vez…e dez vezes…até o decorarmos…
Quer dizer: quando diz decorar, não quer dizer o memorizar…se o soubermos de memória, tanto melhor…depois podemos meter o livro no bolso e então vai S.Paulo continuar a falar na cabeça de cada um de nós…mas isso, disse, seria pedir demais…
Mas quando diz decorar…é mesmo no sentido que o termo tem etimologicamente …é meter o texto no coração…!!!
De core (core= coração…)…decorar…para depois o recordar…!!!
É portanto…um texto para saborear, ler e reler e voltar a ler…sabendo que é S.Paulo que escreve, mas é a Palavra de Deus…é uma Palavra de Deus que eu tento compreender e por isso vem a introdução e o comentário, para nós a compreendermos para a vida…
Pode ser feito individualmente …ou ser feito em grupo…
Se em grupo, sugeria que fossem grupos pequenos...para haver uma participação tão grande quanto possível das pessoas …
E se for em grupo, se o grupo a quiser fazer como lectio divina…e há várias técnicas para fazer a lectio divina…há pelo menos quatro degraus que devem fazer…
Mas é evidente que lectio divina significa eu ler em diálogo com Deus…: Deus fala-me e eu falo com Ele…usando as palavras com que Ele me fala…
Disse que se fizéssemos a lectio divina em grupo, nos deixava esta sugestão: alguém do grupo, mesmo que tenha estudado o texto em casa, lê as três páginas devagarinho…
Depois desta leitura…
Guardem cinco a dez minutos de silencio absoluto e cada um fica ali a olhar para o texto…a lê-lo…a relê-lo…a meditá-lo…a confrontarem-se com a própria vida…as suas lutas, conforme o texto lho sugerir…porque este encontro pessoal é fundamental…
E nesses cinco – e dizia cinco ou dez minutos, porque não convinha que seja nem muito nem pouco tempo…por isso, convinha que houvesse alguém a orientar o encontro e que se passados cinco minutos houver alguém que queira intervir pode fazê-lo…senão…passados dez minutos, a pessoa que orientar o grupo dirá: então agora vamos falar…
Voltou a frisar, que esse encontro pessoal era mesmo muito importante e nesse encontro pessoal com o texto em silencio…não estejam a preparar o que irão dizer a seguir…
É claro que se aparecerem questões, perguntas que eu possa perguntar ao grupo, que todos podem ajudar a resolver…podem-se fazer…mas não estejam a preparar um discurso, que eu depois vou dizer assim e assim…
Muito menos não estejam a preparar a oração que hão-de fazer a seguir…
Disse que infelizmente, tem-se dado cabo da oração…que muitas vezes se faz como nos descreve o Evangelho de S.Mateus…
Quando rezardes…não façais como os fariseus, que vão para as praças públicas fazer que rezam…
E há o perigo de que quando eu formulo uma oração de alto…que eu não esteja a rezar, mas que esteja a falar em forma de oração…para os outros…isso pode destruir a oração…
Atenção então… neste momento de silencio…eu não estou a preparar a oração que hei-de fazer a seguir - porque há um momento de oração…
O momento da leitura, a lectio…depois a meditação dessa parte individual, que se pode estender ao grupo…
De facto posso sublinhar alguma coisa que eu penso que possa dizer, para ajudar os outros a aprofundar…posso, mas não sou obrigado, que ninguém se sinta obrigado…
É claro que depois há um momento de oração, mas que essa oração seja uma oração autentica, em que eu não esteja a falar em forma da oração para os outros membros do grupo…
Mas em que eu estou a rezar a Deus...
Eu estou unido a Deus exclusivamente…e nesse momento…eu estou-me marimbando, desculpem a expressão, para os que estão á minha volta…
Isto é um pouco duro de ouvir não é…?
Mas é muito importante nós preservarmos a pureza da oração e não a destruirmos…
A oração...é sempre o diálogo com Deus…!!!
Eu não estou a fazer de conta que estou a rezar a Deus…eu estou mesmo a rezar a Deus…
Voltou a dizer que este momento de silencio pessoal…é o encontro do eu com Deus…
Eu estou a rezar a Deus, tal qual eu sou…
Eu estou em diálogo com Deus…eu estou a ouvir, estou a escutar…volto a ler…tento entender…coloco as minhas questões ao próprio texto…dialogo interiormente com Ele…
Isto é de facto uma coisa muito pessoal com Deus…a dimensão pessoal é muito importante, repetiu…
Aquilo a que chamamos comunhão…: com o grupo, com os outros…no fundo, com a Igreja… não existe…!!!
A Comunhão só existe quando há alguém entre nós que nos une…que tem poder para isso…e portanto, cada um tem que se unir a essa pessoa que neste caso é Deus…é Jesus Cristo…
A comunhão – Communio – vem de munir…munus…alguém que tem poder, para estar com…e nessa Pessoa, estar com os outros…
E a terminar disse, que os textos que apresenta para ler…São sugestões …
Não queria dizer que os tivéssemos que ler todos, são sugestões…
Que lêssemos os que entendêssemos…
A sugestão de oração são quase só salmos...convidava-nos a rezarmo-los muitas vezes para nos habituarmos a gostar deles…
Disse ainda que nos lembrássemos que nós nunca conseguiremos compreender um texto totalmente…que existem sempre coisa novas…mas que há-de haver sempre alguma coisa que entendemos…mesmo que seja pouco…!!!
E acabou…
(Esta compilação feita a partir da gravação da conferencia do Senhor D.Anacleto, está certamente muito limitada…
Foi feita com o intuito de servir de ajuda para caminhar com S.Paulo…
Desculpem-me as limitações…e relevem-me a boa vontade em servir…
Diác. Maximino)
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