Celebração Nacional do Ano Paulino
Foto: João PolóniaPromovida pela Conferência Episcopal Portuguesa, realizou-se, em
Fátima, nos passados dias 24 e 25 de Janeiro, uma celebração nacional do Ano Paulino, presidida pelo Bispo de Aleppo, na Síria, D. Antoine Audo, acompanhado dos bispos das dioceses portuguesas. O
decorrente ano pastoral foi proclamado de Ano Paulino, pelo Papa Bento XVI, por nele se comemorar o bimilenário do nascimento de S. Paulo.
Para a celebração nacional, foi escolhido o dia 25 de Janeiro, data da conversão do Apóstolo. Tem ainda um significado muito especial ser um bispo sírio a presidir à celebração, dado a conversão de S. Paulo se ter verificado quando este ia em perseguição dos cristãos, a caminho de Damasco.
Várias centenas de Católicos de todas as paróquias do Concelho de Caldas da Rainha quiseram estar presentes, associando-se a dezenas de milhar de pessoas, vindas de todo o país, as quais, indiferentes ao frio e à chuva, festejaram alegremente, tendo como guia este gigante da fé, que é S. Paulo.
A celebração da Missa, no Domingo, no recinto do Santuário, constituiu o ponto alto de toda a celebração nacional do Ano Paulino. Merece, ainda, especial destaque, a Festa Paulina que decorreu na Igreja da Santíssima Trindade, com a presença de cerca de dez mil pessoas. A apresentação esteve a cargo de Jacinta Oliveira e o locutor Paulo Mira Coelho e actor Ruy de Carvalho declamaram vários excertos das Cartas de S. Paulo. Da autoria das irmãs Paulinas, foi apresentado um audiovisual, sobre a vida e obra do Apóstolo, actuando, de seguida, a Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima e o Coro da Sé Catedral do Porto.
A vivência do Ano Paulino, suscita, em toda a Igreja, a possibilidade de redescobrir a essência da missão evangelizadora da Igreja e a verdade da Palavra Revelada que a Sagrada Escritura, memória viva do amor criador e redentor do Pai nos oferece como caminho de participação e colaboração na própria missão do Senhor, ultrapassando os obstáculos de toda a nossa iliteracia espiritual e cultural, no espírito do mais recente Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, realizado em Roma.
S. Paulo protagonizou, na sua experiência de Apóstolo, o alargamento do horizonte dos destinatários
do Evangelho, problema actual na relação da Igreja com a sociedade. Este alargar do horizonte do anúncio do Evangelho é o desafio feito à Igreja por João Paulo II, lançando-a para uma nova
evangelização. É que a Igreja também hoje corre o risco de limitar o anúncio de Jesus Cristo àqueles que continuam no seu redil, compreendem a sua linguagem e conhecem as suas leis, e tem dificuldade
em anunciar Jesus Cristo a uma sociedade cada vez mais secularizada.
As sociedades contemporâneas, apesar de muito diferentes das sociedades do Império Romano do século
I, têm traços comuns: estão profundamente marcadas pelo hedonismo e pelo materialismo, reduzindo o problema de Deus ao arbítrio e à decisão humana, fiel a ritos, mas incapaz de reconhecer o Deus vivo
e transcendente. Por outro lado, em ambas se notam sintomas de insatisfação, que pode transformar-se em abertura à surpresa vivificante do anúncio de Jesus Cristo. Paulo teve desilusões e sucessos e
pode inspirar a Igreja actual a discernir, nos anseios dos homens e mulheres do nosso tempo, aberturas à Palavra de Deus. |
Texto: Fernando Alves
Foto: João Polónia
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